O que é a vida, afinal? Uma suposta vitória que nos faz experimentar um pouco do que é sentir algo real. Muitos dizem que a vida é um presente, e sempre que ouvia isso, eu não concordava. Há tanto sofrimento, há tanta dor, por que isto seria um presente? Foi aí que percebi que não se trata de algo meu, e sim dos outros ao meu redor. O presente que é a minha vida, é relacionada aos outros. A minha vida tem valor para eles. Mesmo com tanta melancolia presente, a vida é uma dádiva. Um caldeirão de sentimentos que nos completam. Afinal, o que seria da felicidade sem a tristeza? A mais bela euforia sem o fundo do poço escuro? E, de qualquer forma, eu adotei uma forma de viver, onde não vivo por mim, mas pelos outros. Passo pela dor, aprendo com ela, e dou suporte a quem irá passar pela mesma coisa. Mantenho minha dádiva pelo bem dos que estão comigo. Porque eu sei que, da mesma forma que eu me importo com eles, eles se importam comigo.
Posso dizer que a vida é música. Um ritmo sincronizado, com um toque suave, uma voz que canta calmamente sobre cada espinho que tem dentro de si. Talvez eu seja alguém muito duvidosa para escrever sobre a vida, logo eu, a que sempre escreve sobre a escuridão que tem circulando em suas veias. Talvez muitos escritores, conhecidos ou não, fariam um texto de caírem lágrimas. Porém, sou eu aqui.
A vida é um texto, cada um escreve o seu de uma forma. Nomes aparecem, nomes se vão. A escuridão pode encontrar a luz em palavras. Cada um escreve sua vida de uma diferente forma, com diferentes dificuldades. E depois de tudo, eu te pergunto, o que é a vida, afinal?
sexta-feira, 21 de agosto de 2020
Sobre a vida
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
O universo vazio
Estou congelada no tempo. O tempo passa e eu observo. As folhas caindo no chão, como os pedaços do meu coração. Nem sei mais o que ter coração significa. Não sei se o tenho aqui, talvez. É, ele está aqui, bombeando sangue e me deixando com os olhos abertos, mas eu não mandei ele fazer isso... Por que ele faz isso? As vezes acho que tenho algum tipo de sangue tóxico. Viajando pelos pensamentos na escura noite sinto a toxidade no meu coração, corroendo ele. Por que dói tanto? Começo a suar salgado. Alguns conseguem enxergar beleza nisso, mas tudo o que eu sinto é dor. Questiono diariamente o porquê de ainda estar aqui, tento desesperadamente entender, e sinto que me forço a acreditar em mentiras que eu mesma inventei, sentimentos passageiros. A minha vida é feita deles, os sentimentos passageiros. Eu perdi o controle do ônibus e eles entram e saem sem parar, mas talvez eu não ligue muito pra isso. Indiferença. Risadas, sorrisos, olhos encharcados, mãos trêmulas. Qual a diferença? Nada significa nada. Da euforia para a tristeza profunda em segundos. O fundo do poço em que já alcancei várias vezes, e que a cada vez parece estar mais fundo. O que será que tem no final do túnel? Eu atravesso a rua sem olhar para os dois lados. O carro branco está chegando. Não, você não precisa pagar nada. Me desculpe por fazer isso parecer um acidente.
Me sinto como um universo, com infinitas coisas, porém sempre tão vazio. Me sinto como a criança que é excluída da calçada. Talvez eu seja, mas vou ir para o outro lado da rua ficar sozinha. Consigo ver o tempo passando pelas minhas unhas, elas crescem, mas eu não. Meus pés andam, mas eu continuo no lugar. Ó rainha, por favor, sim eu a permito fazer isso. Transforme em poeira o rubi brilhante. Deixe-me cinza.
Eu não quero mais estar aqui, por favor.
segunda-feira, 22 de junho de 2020
Encontro na esquina das lembranças
Chega um momento em que as lembranças me preenchem e lembram que há um vazio em mim. É como se eu caminhasse sem rumo algum, na esperança de que, por algum acaso, o sucesso chegue e me convide para um encontro. Perdida em meus pensamentos, penso sobre meus relacionamentos. Sempre foram tão complicados assim? O fio vermelho não tem fim, os laços da amizade me enforcam e os galhos da árvore genealógica parecem estar tão distantes... Desde quando me encontro neste estado? Quando foi que tudo começou a dar errado?
Não que eu não tenha oportunidades, mas simplesmente não sei aproveitar o que é disposto a mim. Não que eu nunca tenha encontrado a felicidade, porém ultimamente ela tem se escondido de mim. Não que eu cogite acabar com a minha vida, acontece que não vejo mais o porquê de estar aqui, sendo um corpo vazio andando pelas ruas sem uma alma que talvez poderia alcançar algum tipo de sucesso na vida.
A questão não é querer morrer, e sim não querer viver. A questão é a reflexão sobre o que é vida e se eu realmente estou vivendo. Observo quanto gasto de tempo, dinheiro e amor eu trouxe para algumas pessoas, e, sinceramente, é isso que me mantém acordando todos os dias. Levantar da cama não tem sido uma tarefa fácil, mas sempre a faço, porque sei que em algum lugar nesse espaço tempo, a eu do passado me aguarda para um café da tarde na esquina das lembranças, pra debater comigo como que eu consegui chegar longe e trazer alguns sorrisos ao longo da minha caminhada.
Eu sei que tudo o que eu passo não é em vão, eu sei que no fim eu vou saber que tudo valeu a pena, eu vou ser recompensada por viver. Ou talvez isso seja um simples devaneio da mente em uma madrugada de terça para quarta. Eu ainda vou passar por tanta coisa... E eu sei que eu estou lutando contra tudo pelo sorriso da pequena Laura, é ela que me faz viver cada segundo e que me faz nunca desistir.
terça-feira, 19 de maio de 2020
Nuvens
Superficialidade é o nome
Não sinto nada e
Simplesmente vôo nas nuvens
Tão vazias, logo se dissipam
Eu vou me dissipar?
Me perco em meio ao teu olhar
Meu coração dói
A mancha preta me corrói
O deslize dos dedos alivia
A dor que sequer pensei que teria
A intensidade veio intensa
Eu não estava preparada
Eu mantenho minha mente suspensa
O abraço teu é algo que falta
Teu toque suave ativa meu sentido
Mas estou longe
Meu coração está ferido.