Desviando da escuridão
Em busca da lua
Sinto que queria ser eu
Mas se, então, sou eu a negação?
Quanto tempo faz que nenhuma palavra aparece aqui. Não pense que foi por um bom motivo... Tudo continua igual, pior. Estou cansada.
Cansada de tudo.
Cansada de mandar mensagens. Cansada de sair de casa. Cansada de respirar. Cansada de me sentir culpada. Cansada de ligar pra opinião de todos. Cansada de deixar controlarem minha vida. Cansada de deitar na cama e ter que dormir. Cansada de ter que acordar. Cansada de lembrar de eventos ruins. Cansada de achar que me machucar vai resolver tudo. Cansada de imaginar minha morte como um alívio. Cansada de tomar banho com muito mais água do que deveria. Cansada de pensar coisas ruins sobre pessoas boas. Cansada de criar um personagem feliz e não conseguir me livrar dele. Cansada de não saber fazer nada. Cansada de ser quem eu não sou (porém, quem sou?). Cansada de sentir. Estou cansada.
Não quero mais pensamentos que sangrem, não quero mais tremedeiras que inundam meu quarto, não quero mais respirações que me sufocam.
Odeio tudo, odeio me sentir assim, não quero mais. Odeio não ter capacidade de escrever algo que desperte a leitura, que emocione. Odeio saber que falam de mim. Odeio meu desfigurado rosto, meu corpo esquelético e minha personalidade baseada em um personagem que não existe.
Odeio me sentir culpada por receber tanto amor e retribuir assim, com arranhões, machucados, feridas.
Não é como se eu não sentisse amor. Porém o vermelho em meio ao preto pode facilmente se tornar sangue.
Sangra sangra sangra.
Apatia depois da impulsividade. Personagem depois do fundo do poço. Quem sou eu? Quem vou ser? Quem já fui?
Sempre falo sobre meu desejo de um futuro onde sou conhecida e importante. Eu vou conseguir de qualquer forma. Qualquer forma.
Não é tristeza.
É não querer dormir
Não querer acordar
É o vazio cheio de sentimentos
É se afogar em direção ao fundo do oceano
É se sufocar vagando pelo espaço
É vazio
Mas é cheio
Não é que eu não goste de você
É que não sei conversar
Não sei ouvir a voz de alguém
E estar preparada a responder
É que eu não ligo mais
Tudo escorre pelas minhas mãos
E o que resta é o sentimento
De culpa
De solidão
Não é que eu não tenha coisas pra fazer
É que todos os desejos sumiram
Até mesmo a mais simples coisa se foi
É não conseguir ver um vídeo engraçado
Sem querer chorar
Não é que eu quero morrer
Eu quero um tempo
Corre muito rápido
Não consigo mais dar um passo
Eu estou ficando pra trás
A vida é uma escola, e nela aprendi a te amar
Na origem da alma houve uma colisão, nossos corações se conectaram
Eu sei que fomos destinados um ao outro desde sempre
A amizade perfeita se manteve por muitos anos antes do calor no coração
Então, descobri que você é o mel do pólen
Descobri, vendo sua carinha de felicidade, que eu morava ali
Não trocaria nem mil reais pela minha atual moradia
Nada vale mais que ela, nada a pode comprar
Então, virei a tua little moon
E você o sol que radia e ilumina minha vida
Entrego minha vida a ti em forma de palavras
Quero poder te tocar, ó injustiça da vida
Queria poder te dar a lua e as estrelas
Não te dou o universo pois ele é vazio
E eu apenas quero te preencher de amor
Então te digo, vem comigo, vamos nessa
Deixa o amor guiar a gente
Até mais, eu te vejo no futuro
E mesmo se, um dia talvez, eu fique sem tempo
E você desista do que temos, no meio da madrugada vazia
Não deve desculpas, eu tô bem.
Vou olhar pra você no rosto e saber que o que tivemos foi ótimo
Vou olhar no fundo da sua alma e falar "vai ser feliz"
Com um sorriso no rosto, vou te ver ir
Entregando as chaves da casa que não é mais meu lar
Não me entenda mal, eu quero o seu bem
Mesmo que isso signifique abdicar do meu
O que a vida é? O que a vida traz?
Se eu creio, cadê minha fé? Se eu sou humana, do que sou capaz?
Se eu caminho devagar, como eu corro?
Tentando chegar no topo do morro
pra ver que a vida é só isso.
Eu sempre assumo um compromisso
de buscar a minha felicidade,
mas talvez a vida seja mesmo isso, de verdade.
É ir atrás do que faz bem e não chegar no pico do sucesso,
é o seu caminho, é progresso.
É ver a paisagem bonita no carro da viagem
e não chegar no destino, é a bagagem.
É crescer sempre tendo em vista o que te acompanha,
aquele que cresce contigo, não que faz manha.
Aquele que sente por ti assim como és,
aquele que fala o que está errado e não se curva aos teus pés.
Reconhece o errado
e não fica calado
perante situações não tão favoráveis,
sabe que as coisas não são imutáveis
e trabalha nisso.
A vida, no fim, é cada passo dado, é o passado que te constrói.
Eu sei, sei sim, que a vida dói,
mas o que seriamos nós sem a dor presente,
a dor comovente
que nos fortalece.
É assim que a gente cresce.
O que é a vida, afinal? Uma suposta vitória que nos faz experimentar um pouco do que é sentir algo real. Muitos dizem que a vida é um presente, e sempre que ouvia isso, eu não concordava. Há tanto sofrimento, há tanta dor, por que isto seria um presente? Foi aí que percebi que não se trata de algo meu, e sim dos outros ao meu redor. O presente que é a minha vida, é relacionada aos outros. A minha vida tem valor para eles. Mesmo com tanta melancolia presente, a vida é uma dádiva. Um caldeirão de sentimentos que nos completam. Afinal, o que seria da felicidade sem a tristeza? A mais bela euforia sem o fundo do poço escuro? E, de qualquer forma, eu adotei uma forma de viver, onde não vivo por mim, mas pelos outros. Passo pela dor, aprendo com ela, e dou suporte a quem irá passar pela mesma coisa. Mantenho minha dádiva pelo bem dos que estão comigo. Porque eu sei que, da mesma forma que eu me importo com eles, eles se importam comigo.
Posso dizer que a vida é música. Um ritmo sincronizado, com um toque suave, uma voz que canta calmamente sobre cada espinho que tem dentro de si. Talvez eu seja alguém muito duvidosa para escrever sobre a vida, logo eu, a que sempre escreve sobre a escuridão que tem circulando em suas veias. Talvez muitos escritores, conhecidos ou não, fariam um texto de caírem lágrimas. Porém, sou eu aqui.
A vida é um texto, cada um escreve o seu de uma forma. Nomes aparecem, nomes se vão. A escuridão pode encontrar a luz em palavras. Cada um escreve sua vida de uma diferente forma, com diferentes dificuldades. E depois de tudo, eu te pergunto, o que é a vida, afinal?
Estou congelada no tempo. O tempo passa e eu observo. As folhas caindo no chão, como os pedaços do meu coração. Nem sei mais o que ter coração significa. Não sei se o tenho aqui, talvez. É, ele está aqui, bombeando sangue e me deixando com os olhos abertos, mas eu não mandei ele fazer isso... Por que ele faz isso? As vezes acho que tenho algum tipo de sangue tóxico. Viajando pelos pensamentos na escura noite sinto a toxidade no meu coração, corroendo ele. Por que dói tanto? Começo a suar salgado. Alguns conseguem enxergar beleza nisso, mas tudo o que eu sinto é dor. Questiono diariamente o porquê de ainda estar aqui, tento desesperadamente entender, e sinto que me forço a acreditar em mentiras que eu mesma inventei, sentimentos passageiros. A minha vida é feita deles, os sentimentos passageiros. Eu perdi o controle do ônibus e eles entram e saem sem parar, mas talvez eu não ligue muito pra isso. Indiferença. Risadas, sorrisos, olhos encharcados, mãos trêmulas. Qual a diferença? Nada significa nada. Da euforia para a tristeza profunda em segundos. O fundo do poço em que já alcancei várias vezes, e que a cada vez parece estar mais fundo. O que será que tem no final do túnel? Eu atravesso a rua sem olhar para os dois lados. O carro branco está chegando. Não, você não precisa pagar nada. Me desculpe por fazer isso parecer um acidente.
Me sinto como um universo, com infinitas coisas, porém sempre tão vazio. Me sinto como a criança que é excluída da calçada. Talvez eu seja, mas vou ir para o outro lado da rua ficar sozinha. Consigo ver o tempo passando pelas minhas unhas, elas crescem, mas eu não. Meus pés andam, mas eu continuo no lugar. Ó rainha, por favor, sim eu a permito fazer isso. Transforme em poeira o rubi brilhante. Deixe-me cinza.
Eu não quero mais estar aqui, por favor.