segunda-feira, 22 de junho de 2020

Encontro na esquina das lembranças

Chega um momento em que as lembranças me preenchem e lembram que há um vazio em mim. É como se eu caminhasse sem rumo algum, na esperança de que, por algum acaso, o sucesso chegue e me convide para um encontro. Perdida em meus pensamentos, penso sobre meus relacionamentos. Sempre foram tão complicados assim? O fio vermelho não tem fim, os laços da amizade me enforcam e os galhos da árvore genealógica parecem estar tão distantes... Desde quando me encontro neste estado? Quando foi que tudo começou a dar errado?

Não que eu não tenha oportunidades, mas simplesmente não sei aproveitar o que é disposto a mim. Não que eu nunca tenha encontrado a felicidade, porém ultimamente ela tem se escondido de mim. Não que eu cogite acabar com a minha vida, acontece que não vejo mais o porquê de estar aqui, sendo um corpo vazio andando pelas ruas sem uma alma que talvez poderia alcançar algum tipo de sucesso na vida.
A questão não é querer morrer, e sim não querer viver. A questão é a reflexão sobre o que é vida e se eu realmente estou vivendo. Observo quanto gasto de tempo, dinheiro e amor eu trouxe para algumas pessoas, e, sinceramente, é isso que me mantém acordando todos os dias. Levantar da cama não tem sido uma tarefa fácil, mas sempre a faço, porque sei que em algum lugar nesse espaço tempo, a eu do passado me aguarda para um café da tarde na esquina das lembranças, pra debater comigo como que eu consegui chegar longe e trazer alguns sorrisos ao longo da minha caminhada.

Pequena Laura, eu irei te encontrar algum dia desses, eu vou te abraçar e dizer: "nós conseguimos!". Vou poder tocar em seus cabelos e em meio a tempestade poder lhe mostrar o arco íris que eu sei que tu sempre quis ver. Vou cantar canções de verão pra ti e te pegar no colo pra te levar no museu das conquistas. Vou poder finalmente estar em paz comigo mesma.
Eu sei que tudo o que eu passo não é em vão, eu sei que no fim eu vou saber que tudo valeu a pena, eu vou ser recompensada por viver. Ou talvez isso seja um simples devaneio da mente em uma madrugada de terça para quarta. Eu ainda vou passar por tanta coisa... E eu sei que eu estou lutando contra tudo pelo sorriso da pequena Laura, é ela que me faz viver cada segundo e que me faz nunca desistir.

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