segunda-feira, 18 de março de 2019

Pão noite

   Estava andando pela floresta, quando percebo que pisei em um pequeno cogumelo, e em seguida ouço uma fina voz:
   -Ei, por que você fez isso?
   Fico surpresa ao ver aquela coisa tão pequena e indefesa confrontando algo tão grande como eu.
   -Você poderia ter pego um veneno.
   Rio suavemente ao ouvir aquilo, ele se preocupara comigo.
   -Onde você mora? - pergunto a ele.
   -Estou procurando amigos, para morar em seus corações.
   Fico com pena do pequeno ser, mas por alguma razão, sinto que estava fazendo algo muito errado ao levar ele comigo, talvez. O deixo para trás e saio em busca da saída daquela floresta.
   Nunca olhei para trás, ou mesmo para o chão, para ver se ele me acompanhava, eu simplesmente não queria que ele estivesse ali.
   Quando cheguei ao final, olhei para trás e percebi que ele havia crescido, estava maior que eu, e havia se grudado a mim. Perguntei seu nome, e ao ter minha resposta fiquei surpresa, mas a única coisa que eu poderia fazer naquele momento era voltar para casa.
   A sua voz me fazia chorar, o seu toque me fazia tremer, saber que ele estava grudado a mim me fazia suar.
   Cheguei em casa.
   Ninguém me perguntou sobre ele, talvez nem perceberam sua presença.
   Na hora de dormir, ele estava ao meu lado
   -Boa noite, Ansiedade.
   Mas ele não me respondeu.
   E eu não conseguia dormir.

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